domingo, 23 de setembro de 2012

O Jardim Amuralhado da Verdade

Trechos do livro "O Jardim Amuralhado da Verdade", de Hakim Sanai , edições Dervish.



O Caminho não consiste nem de palavras nem de atos;
somente a desolação pode deles advir,
nunca qualquer construção permanente.
Suavidade e vida são as palavras do homem
que trilha seu caminho em silêncio;
quando ele fala não é por ignorância,
e quando cala não é por preguiça.

Se conheces teu próprio valor,
por que necessitas te preocupar com
a aceitação ou rejeição dos outros?

Enquanto este mundo permanecer, o outro não pode ser;
enquanto existires, Deus não pode te pertencer.

Toda humanidade está adormecida,
vivendo em um mundo desolado:
o desejo de transcendê-lo é mero hábito e costume,
não religião -  apenas fúteis contos de fadas.

Ele é teu pastor, e preferes o lobo;
ele te convida a si,
no entanto permaneces sem alimento;
ele te dá a tua proteção,
no entanto estás profundamente adormecido;
Bem feito pra ti, tolo insensato e presunçoso!

Quebraste tua palavra,
ainda assim ele mantém sua palavra contigo:
ele é mais leal contigo
do que o és contigo mesmo.

Os mesquinhos vivem temendo por seu pão diário;
os  generosos nunca comem as sobras requentadas de ontem.

Escravo como és da fama e vergonha,
que é a eternidade para ti?

Nunca te detenhas nos caminho:
torna-te não-existente;
não-existente até mesmo para a noção de tornar-se não-existente.
E, quando tiveres abandonado tanto individualidade como entendimento,
este mundo se tornará aquele.

Nada neste mundo
pode te prejudicar tanto quanto a prosperidade;
nenhuma prisão neste mundo
te sujeita tanto como a prisão da existência.

A razão era a pena, o ego o papel;
a matéria foi moldada; os corpos receberam suas formas.
Ao amor ele disse: "Teme somente a mim".
À razão suas palavras foram: "Conhece-te a ti mesma".



 
 

Um comentário:

Rona Rosa disse...

Faz tempo que você não escreve algo que venha de seus pensamentos.