quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Aprendendo a desaprender

“If you use your mind to study reality, you won’t understand either your mind or reality. If you study reality without using your mind, you’ll understand both.”

Bodhidharma 

To learn

A man is driving down the road and breaks down near a monastery. He goes to the monastery, knocks on the door, and says, “My car broke down. Do you think I could stay the night?”
The monks graciously accept him, feed him dinner, even fix his car. As the man tries to fall asleep, he hears a strange sound.
The next morning, he asks the monks what the sound was, but they say, “We can’t tell you. You’re not a monk.”
The man is disappointed but thanks them anyway and goes about his merry way.
Some years later, the same man breaks down in front of the same monastery.
The monks accept him, feed him, even fix his car. That night, he hears the same strange noise that he had heard years earlier.
The next morning, he asks what it is, but the monks reply, “We can’t tell you. You’re not a monk.”
The man says, “All right, all right. I’m *dying* to know. If the only way I can find out what that sound was is to become a monk, how do I become a monk?”
The monks reply, “You must travel the earth and tell us how many blades of grass there are and the exact number of sand pebbles. When you find these numbers, you will become a monk.”
The man sets about his task. Forty-five years later, he returns and knocks on the door of the monastery. He says, “I have traveled the earth and have found what you have asked for. There are 145,236,284,232 blades of grass and 231,281,219,999,129,382 sand pebbles on the earth.”
The monks reply, “Congratulations. You are now a monk. We shall now show you the way to the sound.”
The monks lead the man to a wooden door, where the head monk says, “The sound is right behind that door.”
The man reaches for the knob, but the door is locked. He says, “Real funny. May I have the key?”
The monks give him the key, and he opens the door.
Behind the wooden door is another door made of stone.
The man demands the key to the stone door.
The monks give him the key, and he opens it, only to find a door made of ruby.
He demands another key from the monks, who provide it.
Behind that door is another door, this one made of sapphire.
So it went until the man had gone through doors of emerald, silver, topaz, and amethyst.
Finally, the monks say, “This is the last key to the last door.”
The man is relieved to no end.
He unlocks the door, turns the knob, and behind that door he is amazed to find the source of that strange sound.
But I can’t tell you what it is because you’re not a monk 

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Tende piedade

Peço perdão a Deus pelo que fiz dele durante toda a minha vida: uma ideia, uma imagem, ou seja, uma mentira. Uma massa turva de pensamento denso no topo mais alto da minha mente alucinada. 
Peço perdão por tantos anos de mentiras. Mas não foi de propósito: foi por ignorância. 
Como é possível andar, falar e...Viver, se estamos tão afastados da vida?
Somos capazes de raciocinar, fazer coisas incríveis, entender das coisas e ainda assim sermos zumbis. Nosso estado é tão deplorável que chega a ser assustador. E assim o é por mais um motivo: não conseguimos sentir em nós mesmos que somos zumbis. Com uma atenção chinfrinha podemos até perceber no outro. Mas o outro é zumbi, não eu! 
Por exemplo, esses dias assisti ao filme 12 anos de escravidão, nunca tinha visto. Tem uma cena em que o cara chicoteia a mulher. Ele sabe o que ele está fazendo, ele pegou o chicote e está acertando a mulher. Ele pode até estar gostando do que está fazendo. Mas não há uma consciência ali. Portanto, em um nível profundo ele não sabe o que está fazendo. Se uma consciência surgisse no mesmo instante, ele se assustaria com o que está fazendo e pararia. Esse é o ponto. Essa é a consciência da qual estamos afastados. Fazemos tudo como se estivéssemos dormindo. Somos robôs ou zumbis. Estamos anestesiados.
Mas nada disso é pessimismo ou tristeza: é felicidade. É uma constatação da realidade: por isso é felicidade. De onde pode nascer um chão pra que possamos pisar com segurança, pra que as árvores possam crescer e dar frutos se não for a partir da realidade?
Parece que não há muita esperança no geral... Mas tem algumas coisas que podemos fazer...
O bem, quando sentido, faz bem e nos alimenta de alguma forma. O bem é uma coisa boa, pura em si mesma: bem. Está disponível no universo: toma! É uma matéria, uma substância ou energia que pode ser sentida e passada adiante. Não sabemos a sua origem, mas a sentimos e consequentemente é uma realidade indiscutível. 
Com isso, é um estado interior que deveria ser buscado porque o bem faz bem. Deveríamos sentir o bem, o amor a cada instante pulsando em nossos corações. Pode parecer cafona, mas é isso mesmo.
Não faz sentido ser de outra forma pois não é natural ser de outra forma. Viver como vivemos é uma agressão contra nós mesmos. 
Sentir o bem no coração e sentir a vida que movimenta o corpo é voltar à vida real e consequentemente à Deus: a vida em tudo. A conexão se faz quando nos damos conta da realidade mesma e a percepção de que se percebe a realidade. A única questão é que nada nos toca. Estamos insensíveis e fechados...Duros como uma pedra. 
É preciso muito trabalho e muito cansaço, muito aprendizado e esforço pra que por alguns momentos alguma coisa se solte. 
Sempre estamos esperando alguma coisa e não vemos como tudo que acontece é mágico. 
A magia já ocorre mas somos incapazes de enxergar. 
Muitas vezes gostaríamos de estar em um lugar especial, viajar pro Tibet talvez... Conhecer um grande mestre espiritual, por que não?!
Mas não vemos que as pessoas aqui do lado estão disfarçadas. Deus se disfarça nas pessoas. Aquele velho e simples faxineiro que faz o seu trabalho focado e feliz pode ser o nosso grande mestre espiritual disfarçado e não sabemos. Isso não é modo de falar. É algo real. Repara em seus olhos como emitem uma força. Ele pode te ensinar um pouco da magia. 
E no final das contas, se pararmos pra perceber, em uma camada mais profunda, todos os seres humanos são os nossos mestres espirituais. Devemos estar numa posição de aprendizado e realmente sentir que cada pessoa é o nosso mestre espiritual e respeitá-la profundamente. Devemos respeitar todos os seres humanos. Ou você não vai respeitar o seu mestre?
Viver só pode ser um exercício de vontade e atenção. Vontade é sentir o bem a cada instante. Vontade é maior que o próprio corpo. 
Se não for assim, nada em mim é verdade e cada passo, cada gesto, cada ação, palavra ou pensamento serão agressões contra mim mesmo, contra a própria vida, por mais simples que sejam. Sinto agora um doce e iluminado remorso de consciência por ser como sou. Se pudesse estender isso para sempre, uma luz poderia brilhar cada vez mais forte. Mas corro o risco certo de perder essa impressão preciosa, profunda e pungente(mas tão benéfica à criação do chão-base pro real) assim que colocar os meus tortos pés na rua e novamente ser vomitado...por mim mesmo, por quem mais?
Vida significa esforço, dor, lembrança de essência, atenção, alegria, trabalho e principalmente amor, que inclui todos os anteriores. 
Qualquer coisa fora dessa esfera,(e no fundo sempre sabemos o que é certo) é um passa-tempo grosseiro de crianças problemáticas, um modo lento ou rápido de se destruir. Podemos enfeitar a história, mas no final dará no mesmo: os poetas são mentirosos tanto para si quanto para os demais. 
Mas quanto a isso, não é um mérito só deles (pobres comedores de flores venenosas, bebedores de água do mar), mas de todos os homens.
Os animais por exemplo, pelo menos estão mergulhados e encharcados de ser, de ser eles mesmos e resplandecer através de um oceano de vida que vibra, pois são a expressão da vida mesma por completo: não há fingimentos. 
A única saída nossa é a submissão e humilhação diante da glória do sol. Diante da natureza da vida, da família do universo, do silêncio cheio e do café.
Tem uma matéria invisível, um som, um campo ao redor e dentro de cada pessoa que diz: sou natureza. 
E então, cada pedra, pássaro, natureza-água, cada planta e as nossas células, meditam e oram, se prostram diante do um. Mas nós não. Não ouvimos. Por quê? 
A verdade é que somos nossos próprios demônios.
Se quisermos ver a face do diabo é só nos olharmos no espelho. Li em um livro. Hoje sinto isso com uma profundidade. Li essa frase há exatamente 5 anos e 3 meses. Eu estava pra saltar do ônibus próximo ao maracanã, indo pra Uerj. Fazia calor, era primavera de 2010.
Se quisermos ver a face do diabo é só nos olharmos no espelho. É ele quem canta o próximo ato.
Como escapar deve ser a pergunta. 
Como falei, nisso não tem nada de triste. Muito pelo contrário. Mas não devemos tentar nada, não há espaço ou tempo para tentativas, devemos fazer com todas as nossas forças. Fazer não é tentar. É fazer. Fazer o que deve ser feito e ponto. 
Sem procurar chifre em cabeça de cavalo, o que para alguns pode ser mais fácil no início, pra outros mais difícil. Mas acredito que no final das contas a dificuldade é mais ou menos a mesma para todos. 
Devo cuidar da vida dentro, da vida no olhar ao céu, da vida nos sons, da vida nos próximos, da vida nos animais, da vida na felicidade das relações e da vida na constatação do belo.
Eu Agradeço. Eu aprendi a dizer obrigado. Eu te digo obrigado. Somos obrigados, faz parte da nossa obrigação como servos da natureza do universo.
Um bom dia para nós, que por sinal é um dia único, único mesmo na história de todos os nossos dias. E sempre será único...Esse dia aqui.

Raphael Krás

segunda-feira, 14 de março de 2016

Om Mani Padme Hum

Om mani padme hum significa "da lama nasce a flor de lótus" é um dos mantras do budismo; o mantra de seis sílabas do Bodisatva da compaixão: Avalokiteshvara. De origem indiana, de lá foi para o Tibet.

Sua Santidade o Dalai Lama é tido como uma emanação de Chenrezig (Avalokiteshvara), por isso o mantra é especialmente entoado por seus praticantes e é comumente esculpido e pintado em rochas.
É o mantra mais entoado pelos budistas tibetanos.

Om fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino dos deuses. O sofrimento do reino dos deuses surge da previsão da própria queda do reino dos deuses (isto é, de morrerem e renascerem em reinos inferiores). Este sofrimento vem do orgulho.

Ma fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino dos deuses guerreiros (sânsc. asuras). O sofrimento dos asuras é a briga constante. Este sofrimento vem da inveja.

Ni fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino humano. O sofrimento dos humanos é o nascimento, a doença, a velhice e a morte. Este sofrimento vem do desejo.

Pad fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino animal. O sofrimento dos animais é o da estupidez, da rapina de um sobre o outro, de ser morto pelos homens para obterem carne, peles, etc; e de ser morto pelas feras por dever. Este sofrimento vem da ignorância.

Me fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino dos fantasmas famintos (sânsc. pretas). O sofrimento dos fantasmas famintos é o da fome e o da sede. Este sofrimento vem da ganância.

Hum fecha a porta para o sofrimento de renascer no reino do inferno. O sofrimento dos infernos é o calor e o frio. Este sofrimento vem da raiva ou do ódio.

Que todos os seres possam se beneficiar!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

10 CONSELHOS QUE RECEBEMOS ANTES DE VIR PARA ESSE PLANETA:

1. Você receberá um corpo. Poderá amá-lo ou odiá-lo, mas ele será seu todo o tempo.

2. Você aprenderá lições. Você está matriculado numa escola informal de tempo integral chamada Vida. A cada dia, terá oportunidade de aprender lições. Você poderá amá-las ou considerá-las idiotas e irrelevantes.

3. Não há erros, apenas lições. O crescimento é um processo de ensaio e erro, de experimentação. Os experimentos ‘mal sucedidos’ são parte do processo, assim como experimentos que, em última análise, funcionam.

4. Cada lição é repetida até ser aprendida. Ela será apresentada a você sob várias formas. Quando você a tiver aprendido, passará para a próxima.

5. Aprender lições é uma tarefa sem fim. Não há nenhuma parte da vida que não contenha lições. Se você está vivo, há lições a serem aprendidas e ensinadas.

6. ‘Lá’ só será melhor que ‘aqui’ quando o seu ‘lá’ se tornar um ‘aqui’. Você simplesmente terá um outro ‘lá’ que novamente parecerá melhor que ‘aqui’.

7. Os outros são apenas espelhos de você. Você não pode amar ou odiar alguma coisa em outra pessoa, a menos que ela reflita algo que você ame ou deteste em você mesmo.

8. O que você faz da sua vida é problema seu. Você tem todas as ferramentas e recursos de que precisa. O que você faz com eles não é da conta de ninguém. A escolha é sua.

9. As respostas para as questões da vida estão dentro de você. Você só precisa olhar, ouvir e confiar.

10. Você se esquecerá de tudo isso e ainda assim, você se lembrará.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Compreendam

Não esqueçam que a vida pisca e então vocês morrem.
O que se junta deve se separar, então não briguem nem provoquem disputas.
O que é acumulado deve ser abandonado, então não anseiem descontroladamente por riqueza.
Agarrar-se é se aprisionar, então não cultivem o apego desenfreado.
O que nasce deve morrer, então pensem em sua próxima vida.
A vida é apenas um empréstimo, ninguém sabe quando não a teremos mais.
Aparências são ilusórias, compreendam sua impermanência.
Comida e riqueza são como gotas de orvalho, é incerto quando vão desaparecer.
Inimizade é ilusão, compreendam que isso é um erro.

Guru Rinpoche (Índia/Tibet, séc. VIII)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Mentira e Verdade

Em dada ocasião, um rei chamou Nasrudin para se consolar:
- Ah, Mullá, estou triste. Meu povo anda mentindo demais, não sei mais o que fazer. O que posso fazer quando o povo me falta com a verdade.
- Acontece, rei - respondeu Nasrudin - que nem sempre é fácil diferenciar a verdade da mentira.
- Mas é claro que é, Mullá - retrucou o rei - a verdade impele ao bem, enquanto a mentira só visa enganar...
- Essa é a teoria, mas é preciso que todos saibam na prática o que é mentira e o que é verdade...
Assim Nasrudin combinou com o rei e com o carrasco da corte que na manhã seguinte todos os cidadãos iriam ser levados para fora dos muros da cidade e antes de entrarem o carrasco deveria perguntar o que queriam fazer na cidade, os que mentissem, seriam enforcados em praça pública.
E assim foi. Na manhã seguinte estavam todos os cidadãos em frente ao portal da cidade e o capataz falou:
- Todos os que desejam entrar na cidade devem me dizer o motivo, aqueles que mentirem serão enforcados.
- Eu serei o primeiro - disse Nasrudin, e se encaminhou na direção do carrasco.
- Por que quer entrar na cidade? - perguntou.
- Eu estou indo ser enforcado naquela forca - e apontou para a praça.
- Isso é uma mentira, Mullá!!! - disse o carrasco.
- Se estou mentindo, então me enforque, oras!