quarta-feira, 26 de março de 2008

Nuca


Se as pego por trás não é porque me atraia a bunda. Sou um homem cansado de volumes. Quero-lhes a nuca. Ali reside seu equilíbrio. Entre corpo e mente, dúvida, longa de preferência, pois que maior a zona híbrida. Não me refiro a pescoço ou garganta. São coisas frontais e internas. De frente, por dentro, tudo se rearmoniza. Falo de nuca. Falo do que existe apenas no seu esquecimento, daquilo que elas não vêem, ainda que as ponha de pé. Vem dela o admirável orgulho das mulheres - tudo depositar numa parte do corpo que jamais verão. Aos espíritos lógicos, restaria explicar por que ponho de lado os homens. Homens são inteiriços. Inútil desejá-los. Aquelas que trazem os cabelos curtos, batidos, não se faz necessário sequer tocá-las. Basta aprender a requilibrá-las de longe. Só de olhar. Já às que os trazem longos e soltos, convém aplicar um pouco de violência. Até que aprendam corretamente o sentido da expressão "rabo-de cavalo".

Rodrigo Naves, A coisa me escapa entre os dedos, Revista Piauí número 18

sexta-feira, 14 de março de 2008

La realidade y el deseo


El amor mueve al mundo
que descansa perdido
a la mirada y esta
ternura sin servicio...

Ya las luces emprendem
el cuotidiano escondo
por las calles, dejando
su espacio solo y quieto

Y el angel aparece,
en un portal se oculta
Un soneto buscaba
perdido entre sus plumas

La palabra esperada
ilumina los ámbitos
un nuevo amor resurge
al sentido postrado

Olvidadas los sueños
las aires se los lleream
reposa convertida
la ternura se deja