quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Mentira e Verdade

Em dada ocasião, um rei chamou Nasrudin para se consolar:
- Ah, Mullá, estou triste. Meu povo anda mentindo demais, não sei mais o que fazer. O que posso fazer quando o povo me falta com a verdade.
- Acontece, rei - respondeu Nasrudin - que nem sempre é fácil diferenciar a verdade da mentira.
- Mas é claro que é, Mullá - retrucou o rei - a verdade impele ao bem, enquanto a mentira só visa enganar...
- Essa é a teoria, mas é preciso que todos saibam na prática o que é mentira e o que é verdade...
Assim Nasrudin combinou com o rei e com o carrasco da corte que na manhã seguinte todos os cidadãos iriam ser levados para fora dos muros da cidade e antes de entrarem o carrasco deveria perguntar o que queriam fazer na cidade, os que mentissem, seriam enforcados em praça pública.
E assim foi. Na manhã seguinte estavam todos os cidadãos em frente ao portal da cidade e o capataz falou:
- Todos os que desejam entrar na cidade devem me dizer o motivo, aqueles que mentirem serão enforcados.
- Eu serei o primeiro - disse Nasrudin, e se encaminhou na direção do carrasco.
- Por que quer entrar na cidade? - perguntou.
- Eu estou indo ser enforcado naquela forca - e apontou para a praça.
- Isso é uma mentira, Mullá!!! - disse o carrasco.
- Se estou mentindo, então me enforque, oras!

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Esforce-se

Dharma não é terapia.

É um grande erro pressupor que praticar o dharma irá nos ajudar a acalmar e a levar uma vida sem problemas; nada poderia estar mais distante da verdade. Dharma não é uma terapia.

É bem o oposto na verdade: o dharma é algo sob medida para virar sua vida de cabeça para baixo, é justamente isso que você encomendou.

Então, quando sua vida sai completamente do planejado, por que você reclama? Se sua prática e sua vida não capotarem, esse é um sinal de que o que você está fazendo não está funcionando.

É isso que distingue o dharma de métodos New Age envolvendo auras, relacionamentos, comunicação, bem-estar, a Criança Interior, ser um com o universo e abraçar árvores.

Do ponto de vista do dharma, tais interesses são os brinquedos de seres samsáricos, brinquedos que rapidamente nos entediam até a letargia.

Dzongsar Khyentse Rinpoche (Butão, 1961 ~)

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Dendrobium thyrsiflorum




As ¨Lanternas Japonesas¨ (Dendrobium thyrsiflorum) floresceram!

Viva a natureza!

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Caminhando

Nestes dias, as pessoas dizem cheias de otimismo: “Lama, olhe por mim com compaixão!”, pensando que mesmo que elas tenham feito muitas coisas horríveis, jamais terão que enfrentar as consequências. Elas esperam que o professor, em sua compaixão, irá lançá-las aos reinos celestiais como se estivesse atirando uma pedrinha.

Mas quando falamos do professor nos apoiando com sua compaixão, o que isso realmente significa é que ele amorosamente nos aceitou como discípulos, e que ele nos dá suas instruções profundas, abre nossos olhos para o que fazer e o que não fazer, e nos mostra o caminho da liberação ensinado pelo Conquistador.

Poderia haver compaixão maior que essa? Depende de nós se vamos ou não usar a nosso favor essa compaixão e, de fato, persistir no caminho da liberação.

Patrul Rinpoche (Tibet 1808-1887) 
“As Palavras do Meu Professor Perfeito”

sábado, 25 de julho de 2015

Deus

O Senhor Buda, muito longe de negar que havia um Absoluto, garantiu que aqueles que alcançassem a iluminação deveriam se fundir com Isso e assim perceber a Realidade em oposição ao mundo das ilusões e dos fenômenos. 

O que ele realmente disse, contudo, que tem levado pessoas a acusarem-no de ateísmo, é que não temos nenhum meio de expressar qualquer coisa sobre Isso.

Palavras pertencem ao universo dos fenômenos e são aplicáveis apenas à ele.

Quando alguém vai além dos fenômenos, em direção à Realidade, palavras precisam obrigatoriamente ser deixadas para trás.

Nenhum ensinamento, nenhuma descrição, nenhum pensamento podem expressar o Absoluto, mas podemos experimentá-lo, se suficientementeevoluídos.

O que Buda combateu foram as numerosas tentativas que foram feitas, estão sendo feitas e continuarão a ser feitas, de dizer que o Absoluto é isso ou aquilo, um Deus pessoal, um Criador, um Deus-Pai.

Ele insistentemente recusou responder qualquer pergunta sobre o assunto porque isso era inexprimível em palavras.

Ele não iria permitir a seus discípulos imaginar um Absoluto a semelhança deles, como é a tendência do homem em todo lugar.

Ele assinalou sutilmente que é melhor se ajustar para tentar alcançar a iluminação e, assim, experimentar o Absoluto por si próprio, em vez de perder tempo tentando ineficazmente falar sobre isso, já que nada que possa ser dito sobre Isso pode ser verdade em absoluto.

Palavras iriam inevitavelmente modificá-Lo e moldá-Lo, resultando no máximo em uma aproximação grosseira. Palavras podem ser verdadeiras apenas em certo nível, mas apenas nesse nível, portanto serão apenas verdades relativas.

Assim, como um entendimento que só funciona por meio de palavras pode conter o que não pode ser colocado em palavras? Apenas pela experiência direta.

Se esse fato tivesse sido assimilado, às custas do orgulho humano, teria havido muito menos intolerância, violência e sofrimento cometidos em nome da religião, entre os vários adeptos de seus seus próprios credos; todos afirmando de maneira confiante e dogmática que somente eles receberam a Verdade e que todos os outros estão errados e devem ser salvos de sua ignorância voluntária.

Mas, no budismo, não há lugar para a hierarquia massiva das religiões, que acrescentou o próprio Buda a essa hierarquia (até os cristãos fizeram Dele um dos seus santos), nem para Criador, Preservador e Destruidor, nada exceto um Absoluto inexprimível.

Em Sua direção as pessoas estão evoluindo ou involuindo, alguns se tornando espíritos de planos superiores, outros afundando em mundos inferiores.

E todos pertencem ao mundo dos fenômenos, não à Realidade.

Apenas o Absoluto é Real. E nem podemos realmente dizer isso sem declarar algo menor que a Verdade.

Mas Ela está lá para ser realizada por alguém com o desejo e determinação como os de Milarepa.



 —  com Zenrique Soares

quinta-feira, 9 de abril de 2015

segunda-feira, 9 de março de 2015

domingo, 25 de janeiro de 2015

25 de janeiro

Bom dia

Bom domingo!

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